Terça-Feira, 26 de Setembro de 2017
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Nova pesquisa contesta indícios de água no interior da Lua

23/08/2017 - Ciências
Estudo divulgado em julho havia apontado para a existência de moléculas de água no manto lunar – agora, cientistas contrariam essa informação

 A Lua provavelmente não possui água espalhada sob sua crosta, sugerem pesquisadores americanos. A conclusão contraria o resultado de uma outra pesquisa, divulgada em julho de 2017, em que cientistas analisaram dados de satélite e apontaram para a existência abundante de moléculas de água no manto lunar. Os resultados da investigação mais recente, publicada nesta segunda-feira no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, estão baseados em uma nova análise de amostras lunares coletadas em 1972 pela missão Apollo 16.

A presença ou ausência de água no interior da Lua, assim como a quantidade de elementos voláteis (que evaporam com facilidade) em seu manto, é importante porque pode fornecer evidências de como o satélite se formou.

“Se a lua for ‘seca’ – como pensamos nos últimos 45 anos, desde as missões Apollo –, seria consistente a teoria de que ela se formou em algum tipo de evento de impacto cataclísmico”, afirma em comunicado o autor do estudo recém-publicado, o geoquímico James Day, da Universidade da Califórnia San Diego, nos Estados Unidos. Ou seja: se o satélite não possuir moléculas de água em seu interior, ele pode ter sido formado a partir de um “pedaço” da Terra separado por um impacto. Dessa colisão, teria se formado uma bola muito quente de magma – tão quente que a água, ou quaisquer outros compostos e elementos voláteis, como o zinco, não resistiriam e evaporariam, afirma Day.

No entanto, se a pesquisa divulgada há menos de um mês estiver correta e realmente há uma quantidade considerável de água espalhada sob toda a crosta da Lua, e não apenas nos polos, como se pensava, então os cientistas teriam de rever suas hipóteses sobre a origem do satélite.

Day e sua equipe fizeram uma análise de amostras lunares coletadas pela missão Apollo 16. Elas foram apelidadas de rusty rock (algo como “rocha enferrujada”, em português), pois foram retiradas de um fragmento de pedra que parecia ter ferrugem em sua parte externa. Essas amostras têm despertado a curiosidade de cientistas há um bom tempo, especialmente porque a água é um dos ingredientes essenciais para a formação de ferrugem – então, de onde poderia ter saído essa água? Alguns especularam que ela poderia ter vindo da Terra, mas outros testes mostraram que a rocha e a ferrugem eram de origem lunar.

Água na Lua

A análise química conduzida pela equipe mostrou que a composição da rocha era consistente com a hipótese de que elas pudessem ter vindo de um interior muito seco da Lua. “É um paradoxo”, disse Day. “É uma rocha ‘molhada’ que vem de uma parte interna da Lua muito seca.” Segundo ele, as amostras são cheias de isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem em massa) leves de zinco, o que significa que eles provavelmente são um produto da condensação desse elemento na superfície lunar depois da evaporação que ocorreu na formação do satélite.

“O zinco é um elemento volátil, então ele se comporta um pouco como a água em condições de formação da lua”, explica o geoquímico. “É algo parecido com nuvens se formando no oceano; as nuvens são ricas em isótopos de oxigênio leve e o oceano é rico em isótopos de oxigênio pesado.” Do mesmo modo, ele disse, o interior da Lua deve ser rico em isótopos pesados de zinco ​, enquanto suas partes mais externas devem ter se esgotado em isótopos leves e elementos voláteis – em outras palavras, tornando o satélite mais árido.

Sobre a pesquisa que afirma ter encontrado evidências consistentes de que há uma grande quantidade de água espalhada sob a crosta da Lua, Day sugere que mais estudos deveriam ser realizados antes de chegar a essa conclusão. Segundo ele, é uma “excelente observação” que há depósitos vulcânicos “molhados” no satélite. “No entanto, eles não podem elucidar o mecanismo de sua formação”, afirma o pesquisador. Day afirma que uma de suas estudantes de pós-graduação, Carrie McIntosh, já está tentando investigar esses depósitos para desvendar sua origem.

Fonte: Veja
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