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Chance de que o Acordo de Paris seja cumprido é de apenas 5%

01/08/2017 - Meio Ambiente
Estudos sugerem que a probabilidade de limitar o aquecimento global a menos de 2ºC até o fim do século, como determina o tratado assinado em 2015, é baixa

 A probabilidade de manter o aquecimento global abaixo de 2ºC até 2100, como estabelece o Acordo de Paris, é de apenas 5%, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira na revista Nature Climate Changes. Considerando as tendências globais da economia, das emissões de gases poluentes e do crescimento da população, os autores da pesquisa afirmam que cumprir a meta determinada pelo tratado será muito difícil, sendo bem mais provável (90% de chance) que o real aquecimento fique entre 2ºC e 4,9ºC.

“Estamos mais perto da margem do que imaginamos”, afirma em comunicado o estatístico Adrian Raftery, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, que liderou a pesquisa. “Se quisermos evitar [o aumento de] 2ºC, temos pouquíssimo tempo sobrando.” Assinado em 2015 por 195 países, o Acordo de Paris tem como objetivo manter o aquecimento global “bem abaixo dos 2ºC” até o fim do século, sendo a meta ideal o aumento de apenas 1,5ºC na temperatura. Este último valor, no entanto, é ainda mais improvável de ser atingido – apenas 1% de chance, segundo os cálculos de Raftery e sua equipe.

O estudo recém-divulgado, apesar de assumir que o cenário mais otimista dificilmente irá se concretizar, também sugere que é pouco provável (5% de chance) que o aumento da temperatura chegue ao cenário mais pessimista, com temperaturas 6ºC acima da era pré-industrial. “[Nosso modelo] é baseado em dados que já mostram o efeito das políticas de mitigação de emissões”, escrevem os autores no artigo.

A nova pesquisa teve como base os dados dos últimos 50 anos de tendências da população mundial, o produto interno bruto (PIB) per capita de cada país e a intensidade do carbono – a quantidade de dióxido de carbono emitida por cada dólar de atividade econômica.

Construindo um modelo estatístico que abrange uma série de cenários de emissões, os pesquisadores descobriram que os avanços tecnológicos vão reduzir a intensidade global do carbono em 90% ao longo do século, com declínios acentuados na China e na Índia – dois grandes consumidores de energia. Ainda assim, isso não será suficiente para alcançar o limite de 2ºC, afirmam os pesquisadores.

“Nossa análise mostra que a meta de 2ºC é o melhor cenário possível”, afirma Raftery. “É alcançável, mas apenas com um esforço maior e que seja sustentável em todas as frentes pelos próximos 80 anos.”

Aquecimento garantido

Outro estudo, também divulgado na última edição da Nature Climate Change, apresenta um cenário igualmente pessimista em relação ao aumento das temperaturas. Liderados pelo meteorologista Thorsten Mauritsen, do Instituto Max Planck, na Alemanha, os pesquisadores sugerem que mesmo se todas as fontes de emissão de gases estufa fossem automaticamente desligadas, o aquecimento global teria um aumento de 1,3ºC até 2100. Além disso, se as emissões de gases poluentes continuarem no mesmo ritmo de agora, há 13% de chance de que, em apenas 15 anos, a humanidade já tenha garantido o aumento de 1,5ºC nas temperaturas até o final do século, de acordo com o estudo.

 “Nossas estimativas são baseadas em coisas que já aconteceram, que podemos observar, e elas apontam para a parte do aquecimento futuro que já está comprometida com as emissões passadas”, disse Mauritsen em comunicado. “As futuras emissões de dióxido de carbono só vão adicionar mais [graus de] aquecimento a essa ‘temperatura comprometida’.”

Os oceanos, no entanto, podem ajudar a reduzir os impactos do aquecimento. Segundo os autores, o carbono é capturado naturalmente e armazenado na profundidade dos mares, e pode reduzir o aquecimento global em até 0,4ºC.

A avaliação não toma como base simulações em computadores, mas observações do histórico do sistema climático para calcular quão comprometida a temperatura da Terra já está, considerando o cenário atual das emissões de gases poluentes.

Fonte: Veja
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