Terça-Feira, 26 de Setembro de 2017
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Campanha de Alckmin teve propina de Sabesp e Metrô, diz delator

25/04/2017 - Denúncia
Ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura vinculou o pagamento de 8,3 milhões de reais à obra da companhia de saneamento e consórcio da Linha 6

 Em seu acordo de delação premiada, Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, explicitou de onde vieram os 8,3 milhões de reais em propina, que teriam sido pagos por meio de caixa 2 para a campanha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em 2014. Ele vinculou um pagamento ilícito de 1,5 milhão de reais a uma obra da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Do valor restante, a maior parte dos pagamentos estaria vinculada ao contrato da Linha 6-Laranja do Metrô, uma parceria público-privada (PPP) vencida pela Odebrecht em consórcio com a Queiroz Galvão em 2013.

Essa é a primeira vez que a estatal paulista, que trata água e esgoto, é envolvida no esquema de corrupção. Os pagamentos, presentes em planilhas entregues aos investigadores da Lava Jato, incluiriam também o ex-prefeito de Santos e ex-diretor da Sabesp João Paulo Papa (PSDB), hoje deputado federal, que teria recebido 300 mil reais em sua candidatura à Câmara. Uma planilha entregue pelo delator, conhecido como BJ, aponta o pagamento como tendo sido direcionado a “MM-Partido”, codinome usado pela empreiteira para se referir ao atual de secretário paulista de Planejamento, Marcos Monteiro, tesoureiro da campanha do governador em 2014.

O pagamento estaria vinculado à obra “Emissário Praia Grande”, um contrato de 225,8 milhões de reais assinado pela companhia de saneamento com a Odebrecht para obras de esgoto no litoral sul paulista. Para o Governo de São Paulo, a delação é inconsistente, uma vez que o contrato foi realizado em 2007 e concluído em 2010. Papa só se tornou diretor da Sabesp em 2013.

Os pagamentos teriam ocorrido nos dias 5, para Monteiro, e 12 de agosto de 2014, quando o valor teria sido repassado para o ex-prefeito de Santos, conhecido como “Benzedor” no sistema da empreiteira. Segundo BJ, os repasses foram feitos “de forma ilícita, sob pretexto de campanha eleitoral”.

Na planilha, o contato da Odebrecht encarregado pelo acerto é Josnei Cirelli, que não está na lista dos 77 executivos e ex-executivos da empreiteira que assinaram termo de colaboração com a Lava Jato. O contrato da obra da Sabesp recebeu, ao todo, seis aditivos, que elevaram o custo total em 24%, para 280 milhões de reais, próximo do limite de 25% estabelecido pela Lei de Licitações. Sabesp e Odebrecht também são sócias na empresa Aquapolo, que produz água de reúso para indústria petroquímica.

Investigação

O ministro Edson Fachin, relator dos inquéritos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de investigação contra o deputado Papa a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo os procuradores, os repasses para o tucano teriam fundamento no protagonismo político do parlamentar em Santos, tendo a empresa considerado que seria “importante guardar uma relação de longo prazo com ele, pois poderia auxiliar os interesses do grupo Odebrecht em oportunidades futuras”.

Fachin também resolveu manter a investigação em sigilo porque um dos delatores que citam os repasses a Papa e Monteiro, Luis Bueno, ex-superintendente da Odebrecht em São Paulo, também está envolvido em pagamentos ilícitos no exterior. O sigilo por mais tempo foi combinado com o MPF para que a empreiteira pudesse negociar acordos com autoridades de outros países nos quais pagou propina. Já Alckmin teve o pedido de investigação remetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Metrô

No que diz respeito às obras da Linha 6 do Metrô, Benedicto Júnior afirmou que os pagamentos eram “alocados” nas obras públicas mas que o dinheiro de caixa 2 “saía do lucro da empreiteira”. Segundo ele, a Odebrecht não teve vantagem nos contratos citados.

 

A  informação, no entanto, foi desmentida por outro delator. O executivo Carlos da Fonseca Rodrigues afirmou em seu depoimento ter pago 500 mil reais a Sérgio Brasil, ex-diretor do Metrô e assessor do Governo de SP, depois que ele providenciou alterações no edital da Linha 6, como queria a empreiteira.

Na avaliação do Governo, novamente as delações se baseiam em princípios errados. Procurada, a Subsecretaria de Comunicação ressaltou que as obras desta linha do Metrô não incluem investimento público, uma vez que o contrato prevê que o setor cuide apenas do licenciamento ambiental e de eventuais desapropriações necessárias.

Defesas

Em nota, João Paulo Papa afirmou que “repudia a delação” e nega ter recebido dinheiro de caixa 2. Tanto ele como a Sabesp disseram que o tucano não estava na estatal entre 2007 e 2010, quando o contrato com a Odebrecht foi executado. O secretário Marcos Monteiro afirmou que “a gestão financeira da campanha de 2014 foi feita dentro da lei” e que as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos disse que “é a maior interessada no avanço e resolução dos processos” e que “preza pela transparência de seus trabalhos e exige de seus funcionários uma conduta ética condizente com os mais elevados padrões do serviço público”.

Procurado através da Subsecretaria de Comunicação de SP, o governador Geraldo Alckmin ainda não se posicionou a respeito da delação Benedicto Júnior.

(Com Estadão Conteúdo)

Fonte: Veja
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