Sábado, 23 de Setembro de 2017
Twitter Notícias na Web
Blog Notícias na Web

Todos trabalhavam, diz vizinha do bar onde seis morreram em chacina no Jaçanã

05/04/2017 - Violência
Sobrinha de uma das vítimas afirmou que tio marceneiro foi medir balcão do bar. Outra chacina aconteceu na Zona Sul da cidade.

 Vizinhos do bar onde seis pessoas morreram na noite desta terça-feira (5) no Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, afirmaram que as vítimas cresceram no bairro, não tinham ligação com o crime e eram trabalhadoras. As vítimas tinham entre 35 e 46 anos. Outra chacina foi registrada na Zona Sul de São Paulo na madrugada desta quarta.

“Todos trabalhavam, todos. Todos tinham sua família”, diz vizinha do bar que não quis se identificar.

Saiba mais: Nove pessoas são mortas em duas chacinas em São Paulo

Com exceção de Sidney Rodrigues Cordeiro, de 38 anos, encontrado morto na rua, as demais vítimas morreram ao tentar se esconder no banheiro do bar.

Sidney morava a quarto quarteirões do local com a mãe e um irmão doente que ele ajudava a cuidar. A mãe, dona Maria, conta que correu para a janela quando ouviu uma correria na rua por volta das 23h20. “Eu levantei da cama e vi os meninos correndo”, disse.

Na casa de outra vítima, o marceneiro Valdir Pereira de Souza, de 46 anos, a família ficou inconsolável. Uma sobrinha afirmou que Valdir deixou dois filhos, um de 12 e outro de 17 anos, e que tinha se separado havia pouco tempo da mulher.

“Ele estava trabalhando, ele tinha acabado de abrir a marcenaria dele. Ele foi medir um balcão para o dono do bar”, disse a jovem.

Além de Sidney e Valdir, morreram Adriano dos Anjos da Silva, Gilmar Vieira da Silva, Wellington Claudino de Souza e Luiz Fernando Ramos.

Segundo o boletim de ocorrência, PMs foram para a Rua Antonio Sergio de Matos, 23, no bairro Jova Rural, e constataram as seis vítimas fatais, sendo cinco no interior do bar e uma na rua. Outras três vitimas estavam sendo socorridas pelas unidades de resgate. Alessandro, 21 anos, foi levado ao Hospital Geral de Guarulhos; Junio Pereira de Souza ao Hospital Mandaqui, e José Francisco ao Hospital São Luiz Gonzaga.

Um homem que ficou ferido na chacina relatou aos policiais militares que ele estava tomando cerveja na calçada do bar quando surgiram dois indíviduos desconhecidos em uma moto Honda Twister prata disparando contra o bar. O proprietário do bar Aloisio Claudio Rodrigues disse que não estava no local na hora da chacina pois havia saído para jantar.

Investigação inicial indica que mortes podem ter relação com disputa por ponto de caça-níqueis ou tráfico de drogas.

Zona Sul

Na mesma noite, a PM foi acionada para atender uma ocorrência sobre disparo de arma de fogo na Rua Carualina, 56, no Campo Limpo, Zona Sul da capital. No local, encontraram morto Wizmael Dias Correa, 19 anos, e a testemunha Wesley Francisco de Lima, 29 anos. Wizmael morreu com dois disparos de arma de fogo no rosto. Ele chegou a ser levado ao hospital do Campo Limpo, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Segundo depoimento da testemunha Wesley, ele pilotava uma moto com Wizmael na garupa quando percebeu que estavam sendo acompanhados por uma motocicleta Honda. Ele tentou fugir, mas na Rua Carualina Wizmael se assustou e desceu da moto. Neste momento, o garupa da outra moto sacou uma arma, atirou sem falar nada, acelerou e fugiu.

Aproximadamente meia hora depois, ainda segundo o boletim de ocorrência, a PM recebeu a informação de que outros dois homens entraram no Hospital Campo Limpo com ferimentos por ama de fogo. Johnny Felipe Nascimento, 24 anos, e Vinicius Aparecido Paula Guedes, 20, que não resistiu e morreu. As vítimas foram baleadas na Rua Professora Nina Stocco, 10, a 1 km da Rua Carualina.

Johnny disse aos policiais que estava entregando pizza e parou no local para pedir informações quando uma motocicleta Honda com dois homens passou atirando. Johnny afirmou que não conhece as pessoas que estavam no local e somente parou para pedir informações, quando foi atingido pelo tiro na mão.

Uma terceira vítima, Kayke Santos Moreira, 19, foi encontrado morto na própria Rua Professora Nina Stocco.

Para policiais militares ouvidos pelo G1, os locais são pontos de tráfico de drogas e há a suspeita de que os crimes envolvam disputas entre traficantes pelo controle de locais de venda. O pai de Kaique afirmou ao G1 que o filho atuava no tráfico: "Pedia a Deus que filho fosse preso", disse.

Um amigo dos dois jovens mortos afirmou, no entanto, que eles não eram traficantes. "Suspeito que tenha sido coisa dos pés de pato [policiais militares considerados matadores de aluguel e justiceiros]", disse.

Fonte: Globo
Notícias na web © 2017
Melhor visualizado na resolução 1024 X 768
Desenvolvido por:
Doway - Soluções Dinâmicas Web